Aventuras no Centro
Hoje cheguei na Praça da Sé 7h55, eu entro às 8h30. Eu tinha 35 minutos para fazer um percurso que, a pé, eu faço em 15. Assim como terça, eu estava com a câmera do meu pai na mochila.
Sendo assim, pensei em fazer um outro caminho, mais longo porém, diferente e mais interessante. Fui andando devagar (algo raríssimo), observando tudo num momento “Zen”, relaxando e me preparando para enfrentar um novo dia.
Estava passando por um jardim ao lado (embaixo) do viaduto do Chá, onde havia um segurança vigiando o belo jardim. No meio do jardim eu vi numa árvore no meio de um canteiro uma teia de aranha GIGANTE com uma aranha GIGANTE no meio. E lá fui eu fotografar. Fiz algumas fotos respeitando a gradezinha do canteiro para não pisar na grama, pois seguranças adoram pegar no pé por essas coisas. E eu lá concentrado quando ouço:
- É uma aranha? – Disse uma garia (na minha cabeça é o feminino de Gari) que varria por ali.
Não! É um bicho preguiça pendurado na teia, pensei. Mas respondi apenas:
- Sim.
- Dá pra tirar foto da teia, vai aparecer?
- Acho que sim.
- Chega mais perto.
- Pode?
- Pode sim.
Subi na grama, e tentava me concentrar novamente, quando:
- Ó, tira das abelhinhas também!
E realmente, haviam abelhas nas flores. Eu tirei umas duas pra fazer a mulher feliz e voltei a me concentrar na aranha, quando novamente:
- É uma aranha?
Não! É uma Jamanta fazendo rapel! Novamente apenas pensei (infelizmente). Mas quando me virei, vi um grupo de umas DEZ meninas ao lado da Gari olhando o que eu tava fazendo! Então eu respondi novamente:
- Sim.
- Essa aranha mata? – Uma das meninas perguntou.
- Não sei.
- Você biólogo?
- Não.
- Estuda biologia?
- Não.
- Faz faculdade?
- Sim.
- De que?
- Rádio e TV, mas isso é pra um trabalho de fotografia (claro que não era, mas eu não ia explicar que eu só tava tirando pq eu achei bonito).
Com aquela muvuca atrás de mim eu desisti. Tive que impedi a mulher de cutucar a aranha com a vassora... e depois de alguns comentários, as meninas foram embora. Então a gari virou pra mim e disse:
- Você já viu os gatinhos?
- Que gatinhos?
- Ali embaixo tem uns gatinhos, você pode tirar fotos deles.
Meio espantado, eu disse sorridente:
- Obrigado, mas agora eu preciso ir. Tchau!
Simpaticamente a mulher retribuiu e fui embora.
Por que eu contei essa história? Por que eu achei legal, apesar da pentelhice, a solidariedade da Gari. Primeiro ela permitiu que eu pisasse na grama, depois sugeriu a foto das abelhas, depois quis cutucar a aranha pra eu tirar foto dela se mexendo e por fim falou dos gatinhos. Uma pessoa super simples, ajudando um estranho sem esperar nada em troca.
O ano passado eu fui fazer um trabalho no SESC Belenzinho. Eu precisei fala com mil pessoas e tive ir lá trezentas vezes só pra pedir autorização para entrevistar um dos professores de lá!
Infelizmente, devido tantas interrupções, iluminação ruim e minha pouca habilidade em fotografia, nenhuma foto ficou boa...
Acho que falei demais... bom é isso.
Escrito por eomemo às 09h00
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